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dez

Resenha: Malala, a menina mais corajosa do mundo


Há algum tempo queria ler algo mais profundo sobre a história de vida de Malala. Já sabia que havia um livro chamado Eu sou Malala, escrito por ela mesma, mas nunca tive a oportunidade de ler, talvez até por esquecimento mesmo em procurar o livro nas livrarias e na internet. Dia desses, minha mãe pediu para eu escolher um livro em uma livraria e coloquei os olhos neste. Estava super baratinho, então resolvi levar. E não me arrependi.

Malala Yousafzai é uma garota paquistanesa que ama ir à escola. Seu pai é proprietário de uma escola para garotas (no Paquistão meninas devem estudar separadas dos meninos) e é lá que ela frequenta as aulas. No entanto, um líder talibã decide proibir que garotas tenham acesso a educação por se tratar de um ultraje às leis do Alcorão. Aí o destino de Malala muda para sempre: ela se revolta e decide falar à uma emissora de tv que aquilo é uma atrocidade e não acha justo privar as mulheres dos livros e da educação. O discurso sincero de Malala tem uma repercussão tão grande no país que um dia, quando Malala vai à escola, sofre uma tentativa de assassinato. Leva um tiro na cabeça e quase por um milagre, sobrevive. Mesmo assim, diante de todas as ameaças que sofria e ainda sofre, Malala não desiste de lutar pelo que acredita e continua defendendo o direito de acesso à educação às mulheres.

Apesar de não ser um retrato 100% fiel da vida e dos pensamentos da garota, a jornalista italiana Viviana Mazza se baseou em documentários feitos pela BBC, no próprio diário de Malala e em materiais divulgados sobre ela na TV e nas demais mídias. O resultado foi uma mistura de ficção com realidade que ficou interessante. Nós, que moramos no Ocidente, realmente não fazemos ideia de como a cultura do lado de lá do mundo é totalmente oposta da nossa. Por mais que vejamos reportagens na TV sobre o Paquistão, a Síria, o Afeganistão e outros países muçulmanos, sempre há algo a nos surpreender e nos causar um certo repúdio pelos costumes deles.

No caso de Malala, que mora em uma região do Paquistão chamada Swat, a autora nos passa o tempo todo uma sensação de insegurança , praticamente todas as aflições de Malala tem como cenário de fundo militares por todos os lados, ataques, violência e líderes religiosos exigindo e mandando nos cidadãos. Me fez lembrar muito a guerra civil do tráfico de drogas que diariamente assistimos no jornal nas favelas do Rio e de SP.

O mais difícil para Malala foi em primeiro lugar, pensar em ficar sem estudar. Em segundo, se perguntava o porquê das mulheres não poderem ir à escola e até mesmo sair de casa sem usar a burca. Após sofrer o atentado, Malala tem uma nova preocupação: como faria para ajudar seu povo? Decidiu trocar seu sonho de tornar-se médica, para tornar-se uma líder política como foi Benazir Bhutto, líder Paquistanesa muito admirada no país, porém, infelizmente morta por sua condição.

“’Há tantas meninas incríveis neste mundo, por que logo eu?’ Malala não se sente tão especial. Especial era a situação na qual se encontrava. Não é fácil levantar a voz quando temos a vida em risco. Se tivesse ficado sentada em seu quartinho, quem teria salvado sua escola? ‘Deus me deu esta honra e eu aceito’, pensa.”

Indicada ao Premio Nobel da Paz, não venceu em 2013, mas recentemente em outubro de 2014 conseguiu levar o prêmio. Essa garotinha corajosa fez muito barulho e com certeza abriu os olhos de muitas mulheres em seu país. Conseguiu até mesmo a criação de uma Lei de acesso obrigatório à educação de todas as crianças paquistanesas. Não há dúvida de que ouviremos falar muito de Malala ainda. Assim espero.

Veja o vídeo do discurso de Malala à ONU, aqui.

Malala: A menina mamalala livrois corajosa do mundo

Autora: Mazza, Viviana

Editora: Agir

Ano de Lançamento: 2014

Nº de páginas: 192

Preço Médio: R$ 19,90



Mayra